Setores do varejo que mais sofreram ensaiam retomada

(Folha de São Paulo)
Lojas de roupas e de eletrodomésticos, setores do varejo mais impactados pela crise em 2015 e 2016, tiveram desempenho de faturamento acima do resto nos últimos três meses

Por Maria Cristina Frias | coluna Mercado Aberto
Faturamento do varejo têxtil superou o de outros setores nos últimos três meses, segundo a SBVC

Faturamento do varejo têxtil superou o de outros setores nos últimos três meses, segundo a SBVC

Lojas de roupas e de eletrodomésticos, setores do varejo mais impactados pela crise em 2015 e 2016, tiveram desempenho de faturamento acima do resto nos últimos três meses, diz a SBVC (Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo).

“O termômetro virou, e as categorias que sofreram mais começam a reagir: moda com 6%, eletrodomésticos com 4,6% nos três meses”, afirma Alberto Sorrentino, vice-presidente da entidade.

As maiores empresas que vendem remédios, as que foram melhor durante o auge da crise, saíram dos anos de queda de PIB com faturamento em alta, aponta o estudo.

“As grandes redes de drogarias incorporaram perfumaria e cosmética, abriram muitas novas unidades, se beneficiaram de aumentos de preços. Esses dois últimos fatores que os ajudaram já não têm tanta força em 2017”, diz Sorrentino.

O segmento de eletrodomésticos é de compras consideradas discricionárias, que são mais afetadas por perda de renda real das famílias.

Foi a única categoria que apresentou queda de faturamento no estudo da SBVC, que se fixou nas 300 maiores varejistas do Brasil.

Editoria de Arte/Folhapress

Editoria de Arte/Folhapress

A pesquisa identificou que o conjunto das maiores empresas do país engatinha no comércio eletrônico: entre as 300 companhias estudadas, 119 vendem na internet.

“A transformação digital não é uma prioridade para o varejo, e isso é preocupante.”

No setor de supermercados isso é nítido, pois 12,5% deles estão on-line, porcentagem considerada baixa.

Redenção digital

O consumo represado nos últimos dois anos e a liberação das contas inativas do FGTS são os fatores que impulsionam uma retomada do varejo de eletrônicos pesados.

Quem afirma é Frederico Trajano, CEO do Magazine Luiza. “No nosso segmento há ciclos; as pessoas deixam de comprar, mas voltam em algum momento.”

No segundo trimestre deste ano, a receita total subiu 26% em relação a 2016 e atingiu R$ 3,2 bilhões. A estratégia digital foi importante para a empresa, diz —28% das vendas foram on-line.

A loja é uma exceção: entre as grandes varejistas do país, a presença na internet é tímida.

Sentido comum

A Colgate conseguiu na Justiça uma autorização para usar a marca “Max Fresh”, cujo registro exclusivo havia sido dado, em 2007, à empresa Distribuidora de Medicamentos Farmalogística.

A disputa durou mais de dez anos: inicialmente dentro do Inpi, instituto de propriedade intelectual responsável pelos registros, e, a partir de 2012, judicialmente.

O entendimento do tribunal foi que o termo, que significa “máximo frescor”, seria de sentido comum, e não caberia que uma empresa detivesse o uso exclusivo da marca, diz Priscila Bratefixe, sócia do Có Crivelli.

O Inpi, a Colgate e os advogados da Farmalogística não quiseram comentar.

Nova LCA/LCI perde atratividade, mas deve ter alta antes de mudança

Uma eventual tributação de LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio) e LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) não deverá afetar quem já tem os papéis, mas a expectativa de analistas é que o investimento perca a atratividade.

“O fim da isenção do imposto de renda deverá fazer com que os ativos percam volume para outras opções de baixa volatilidade”, diz Marcelo Flora, sócio responsável pelo BTG Pactual Digital.

O produto deverá se equiparar a um CDB —investimento atrelado ao CDI, tal como a LCA e a LCI, mas sem isenção—, avalia Leo Cherman, head do banco Sofisa Direto.

“Antes da mudança, deve haver um aumento dos papéis no mercado. Vamos tentar renovar e colocar o máximo possível, mas ainda é cedo.”

A expectativa é que uma eventual tributação seja aplicada apenas a novas emissões -foi o que ocorreu em 2015, na última mudança de regras dos papéis, diz Flora.

Fonte: Anbima

Fonte: Anbima

Intercâmbio iraniano

Integrantes do Banco Central do Brasil e do Irã vão se reunir nesta quarta (9) em Brasília para trocar informações sobre instrumentos de comércio e meios de pagamento.

A CNI (confederação da indústria), a Apex-Brasil (agência de exportação) e empresários também participarão do encontro. Eles apresentarão uma lista de 203 produtos com potencial econômico para o comércio entre os países.

“O Brasil ainda não conseguiu incrementar as trocas com o Irã após a queda das sanções impostas pelos Estados Unidos”, diz Carlos Abijaodi, diretor da CNI.

“Poucos bancos brasileiros fazem transações lá. A ideia é dialogar para facilitar o comércio na parte financeira.”

 

Exemplo… Start-ups israelenses receberam investimentos de US$ 5 bilhões (R$ 15,6 bi) em 2016, quase três vezes mais que as brasileiras, segundo o Goldman Sachs e a Lavca.

…estrangeiro Os números serão apresentados nesta quarta-feira (9) em um evento organizado pela Harpia Capital em São Paulo sobre negócios no mercado israelense.

Precaução… Empresários continuam pessimistas em relação à economia, segundo a Fecap. Em julho, o índice de expectativa ficou em 96,7, abaixo do nível neutro (100).

…e confiança A perspectiva de melhora nas vendas e de novas encomendas para o próximo trimestre, no entanto, cresceu 7,2% em julho na comparação com o mês anterior.

Fonte: Folha de São Paulo | 03 de Agosto de 2017
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/mercadoaberto/2017/08/1908310-setores-do-varejo-que-mais-sofreram-ensaiam-retomada.shtml
No Comments

Post a Comment