Varejo e eCommerce no Brasil

SBVC
– Autor: Alberto Serrentino
– fundador da Varese Retail, vice-presidente e conselheiro deliberativo da SBVC e autor do livro Varejo e Brasil: Reflexões Estratégicas.

A penetração do comércio eletrônico em relação ao varejo brasileiro é de apenas 3,2%, apesar de apresentar grandes variações entre segmentos e categorias de produtos. Os dados do Ranking das 300 Maiores Empresas do Varejo Brasileiro da SBVC ajuda a compreender o baixo grau de penetração: apenas 42% das maiores empresas do varejo brasileiro vendem online. O atraso é muito superior no varejo alimentar e food service, onde apenas 13% e 31% das grandes empresas possuem operação de ecommerce, respectivamente. No varejo não-alimentar, 71% das maiores empresas já vendem online, mas pode-se reforçar a avaliação que, em relação à digitalização do varejo, os consumidores brasileiros estão se movimentando com maior velocidade que as empresas.

O Ranking das 50 Maiores Empresas do ecommerce Brasileiro permite aprofundar alguns aspectos do nosso mercado:

Concentração – o varejo digital possui alto grau de concentração: as 5 maiores operações respondem por 49% e as 10 maiores por 63% das vendas do comércio eletrônico no Brasil. Para efeito de comparação, as 10 maiores empresas de varejo só respondem por 11% e as 10 maiores por 15% do ainda muito fragmentado varejo brasileiro.

Marketplaces – os grandes operadores globais de ecommerce (como Amazon, Walmart e JD) vêm progressivamente incorporando marketplaces e investindo em aumento de participação no negócio. A tendência se confirma no Brasil, onde 24 das 50 maiores empresas operam marketplaces. Os cinco maiores operadores de ecommerce já operam marketplaces (B2W, Via Varejo, Magazine Luiza, Walmart e Netshoes) e dois deles – B2W e Walmart – passaram a priorizar o negócio em relação ao ecommerce direto (chamado 1P).

Ecossistemas – a competição global no mundo digital será travada entre ecossistemas. Conglomerados como Amazon, Alibaba, Tencent, JD, Google e Apple vêm estruturando plataformas de negócios que integram comércio eletrônico, lojas físicas, marketplaces, meios de pagamento, mídia, conteúdo e entretenimento, suportados por tecnologia em nuvem e infraestrutura logística.

Cross-border – o fenômeno de compras internacionais via ecommerce realizadas por consumidores finais vem crescendo de forma acelerada no mundo. No brasil, estima-se que cerca de R$ 12 bilhões em produtos sejam comprados anualmente por consumidores a partir de sites fora do país. A realidade inversa é uma oportunidade para marcas brasileiras desenvolverem novos e internacionalizarem seus negócios com níveis muito inferiores de risco e investimento em relação à expansão de lojas em outros países.

Transformação do varejo – o processo transformação do varejo vai muito além do comércio eletrônico. Envolve a transformação cultural e organizacional, mudança na relação com clientes, mudança no papel da tecnologia e novo papel da loja. O impacto do mundo digital nos negócios de varejo levará empresas a mudanças em seus modelos de negócio.

O Ranking das Maiores do ecommerce confirma o elevado grau de heterogeneidade na participação das vendas online em empresas de varejo, mesmo entre os maiores do País. No segmento de eletroeletrônicos, os números variam de 40% estimados na Fast Shop, 24% no Magazine Luiza, 23% na Colombo, 15% no Novo Mundo, 13% na Via Varejo e 5,5% no Zema; já em moda, partem de 16% do Grupo Soma, 9% na Reserva, 6% na Arezzo, 2,4% na Renner e 1,8% na Marisa; Em farmácias, enquanto a Panvel realiza 9% de suas vendas online, a RaiaDrogasil atinge 0,4%; no varejo alimentar, Gupo Pereira e Zona Sul alcançam 5%, Muffato 1,7% e Mambo 1%, mas a grande maioria sequer possui venda online.

Transformação digital – o impacto do mundo digital para o varejo vai muito além do comércio eletrônico. Consumidores não se relacionam com canais, mas com marcas. O mundo digital permite transformar a maneira como marcas de varejo se comunicam, informam, interagem, vendem e se relacionam com consumidores. A transformação digital é acima de tudo mudança organizacional e cultural, pressupõe incorporação de cultura digital, mudança em estruturas, processos e modelos de gestão, foco em mobilidade e obsessão por clientes. Os consumidores brasileiros estão se movimentando mais rapidamente que o varejo na adoção do mundo digital e a agenda de transformação digital ainda está na intenção para a maioria das empresas.

 

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